quarta-feira, 13 de novembro de 2019   
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:: D. Pedro II e o Telefone
 
Obtida a patente e completado o desenvolvimento do telefone por Graham Bell, era preciso correr para tentar um lugar na Exposição do Centenário, realizada em Filadélfia, e que fazia parte das comemorações dos 100 anos da Independência dos Estados Unidos.

A exposição é aberta com grandes solenidades no dia 4 de junho, um mês antes da data do centenário da independência americana. É uma grande festa. O Imperador do Brasil, D. Pedro II, iniciara uma viagem histórica, que durará até setembro de 1877, partindo do Rio de Janeiro a 26 de março de 1876, a bordo do vapor Hevelius. Vai a São Francisco da Califórnia. De lá, cruza todo o oeste americano, visita Chicago, Baltimore e chega a Filadélfia para a abertura da Exposição.

À medida que chegavam, pessoas distintas eram mais ou menos saudadas pela multidão, mas, diz o World, a primeira ovação geral e cordial foi para o Imperador do Brasil. Este potentado, que, debalde, tem procurado persuadir os americanos que se deixou a si mesmo no Rio de Janeiro, aproximou-se do estrado dos convidados levando a Imperatriz (Teresa Cristina) pelo braço e seguido pelo Ministro Brasileiro em Washington e dos membros da delegação.

No dia 25 de junho, um domingo quente, o Imperador do Brasil volta à Exposição do Centenário, para uma visita diferente, ou seja, como membro honorário da comissão científica que julgará os inventos, em companhia de algumas celebridades.
Pois bem, nesse domingo, 25 de junho de 1876, D. Pedro II e seus companheiros ilustres da comissão científica passam a tarde percorrendo a exposição e assistindo às demonstrações dos inventos ali expostos. O Imperador sabe que deverá visitar

Graham Bell. Mas, como se demorassem na visita aos estandes do setor de eletricidade, o prazo previsto foi-se escoando. Ali pelas 19 horas, todos se preparam para encerrar os trabalhos porque o cansaço é visível na fisionomia dos cientistas. O grupo está perto do pavilhão educacional do Estado de Massachusetts, quando Graham Bell surge ao longe e acena para o Imperador do Brasil. Ambos se cumprimentam com a alegria de amigos e D. Pedro pergunta: "Como vai, senhor Bell? E os surdos-mudos de Boston, como estão?". Graham Bell responde e convida D. Pedro para que veja o "aparelho elétrico, uma máquina falante que eu gostaria que Vossa Majestade examinasse". Alguém observa que não devem perder tempo "com aquele brinquedo infantil do professor Bell". Mas o Imperador não recua e se dirige ao modesto estande. Todos se aproximam dos aparelhos, enquanto Graham Bell fica numa ponta do fio, no transmissor, a quase 150 metros de distância. A comissão está impaciente e teme um fiasco. De repente, todas as atenções se voltam para D. Pedro, que, com o fone ao ouvido, escuta nitidamente a voz de Graham Bell declamando Shakespeare: "To be or not to be ..." E não se contém, diante daquela maravilha:
Meu Deus, isto fala! ("My God, it speaks!") .
A presença de D. Pedro II conferiu novo sentido e talvez a oportunidade extraordinária que faltava para a promoção do invento.
Ref.: Jornal O Estado de São Paulo - 10º Caderno - 15/02/1976 - Autor: Ethevaldo Siqueira (adaptação).

 Jornalista Responsável: Cíntia de Assis | Desenvolvimento: SR Informática | Realização: ABO-RJ Siga-nos no Facebook Facebook