quinta-feira, 21 de novembro de 2019   
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A ABO-RJ é uma entidade com características técnico-científica, culturais, filantrópicas e sociais, constituída por número ilimitado de sócios cirurgiões-dentistas, acadêmicos de Odontologia e demais profissionais afins regularmente inscritos nos respectivos Conselhos.

:: Museu "Salles Cunha" na Minissérie "Quinto dos Infernos" na TV Globo
 
Uma Extração Dentária em 1810

Em condições normais ou seja, dente bem implantado e um pouco destruído pela cárie, devia ser um acontecimento trágico, porque:
1 - Não havia anestesia;
2 - O dente devia estar doendo;
3 - O instrumental era precário. Enfim, as condições para a cirurgia eram muito precárias, inclusive com referência à higiene. Quando a Família Real se mudou para o Rio de Janeiro em 1808, houve uma tentativa de organizar esse atendimento médico na cidade. Foram, então, licenciados alguns "barbeiros” e "sangradores”. Eram eles: José Dutra - preto forro; Antonio Vieira da Silva; Braz - escravo de Pedro Aragão; Francisco Galiza, - nação gege, escravo de Manoel Galiza; Maximiniano d’Utra - nação gege, escravo de José Antonio d’Utra e alguns outros escravos. Em 1910, morava no bairro da Saúde o negro mestiço Mestre Domingos, barbeiro popular naquele bairro. Exercia a atividades também a chamados, levando sob o braço uma esteira de tabôa para o cliente sentar e uma enferrujada Chave de Garengeot. Eram assim os profissionais aos quais estavam afetos em 1808 os primitivos cuidados a serem dispensados aos dentes.

Os boticões ainda não eram freqüentes. Os instrumentos usados eram alavancas e a Chave de Garengeot.

Esse tipo foi muito bem retratado em gravura de Debret, onde se pode ler: "Barbeiro, cabellereiro, sangrador, dentista e deitão bixas" (aplicação de ventosas com sanguessuga).

Ambientação
Uma sala simples, uma cadeira comum, com adaptação de cabeceira e escarradeira, uma mesa auxiliar de madeira com bacia e gomil de metal ou porcelana com água, um recipiente do tipo moringa, panos diversos e algodão para limpeza de sangue e os instrumentos cirúrgicos predominando os elevadores (alavancas e chave) eram os componentes necessários para um ambiente desse tipo. Uma bebida alcoólica forte seria o "anestésico". A extração de um molar
1 - Separação da gengiva do dente;
2 - Colocação dos ganchos da Chave bem junto às raizes, (entre elas), do lado da bochecha ou atuação com alavanca reta;
3 -Torção violenta da chave (ou da alavanca), arrancando o dente com rapidez;
Na arcada inferior, atuava-se pela frente do paciente.
Na arcada superior, atuava-se por trás do paciente.
Não havia jaleco, mas um avental pequeno seria possível.

Sugestões para a gravação:
1 - Extração de dente posterior inferior do lado esquerdo, conforme a figura. Facilita a manobra com a mão direita;
2 - "Envelhecer” a escarradeira e adaptá-la ao braço esquerdo da cadeira, através de um gancho simples.e na mesma altura.
3 - Lavar o instrumental antes de colocá-lo em contato com a boca do ator. Pode passar álcool.

Documentos
Cópias-xerox. Dentista atuando por volta de 1800. Modelo de cadeira com adaptação.de cabeceira e escarradeira. A partir deste texto especialmente preparado pela equipe do Museu Salles Cunha,, o seriado "O Quinto dos infernos" da TV Globo exibiu uma divertida gravação de uma extração dentária, que teve como dentista o "sangrador" Humberto Martins, caracterizando o personagem, e um escravo como cliente com odontalgia. A partir de uma pesquisa da cenarista Lúcia Castilhos, a produção construiu uma pequena botica na qual os artistas gravaram a hilariante cena. O instrumental é do acervo do Museu "Salles Cunha". Luciano Marinho de Magalhães e Fernanda Magalhães, do Museu Salles Cunha, e a médica Cláudia estiveram presentes como consultores. As fotos abaixo mostram momentos do ensaio.


 Jornalista Responsável: Cíntia de Assis | Desenvolvimento: SR Informática | Realização: ABO-RJ Siga-nos no Facebook Facebook