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Coleção Curiosa

 
O Museu Salles Cunha recebeu uma doação de fotos com heróis de histórias em quadrinhos que permanecem, até hoje, desenhados por novos artistas. Poucas revistas infantis existiam antes de 1930. A mais destacada se chamava Tico-Tico, brasileira e com personagens geniais, entre eles o trio Reco-Reco, Bolão e Azeitona. Algumas eram publicadas por jornais, como o Mirim e Suplemento Juvenil. No final do ano, se tornavam artísticos almanaques encadernados.

Em 1939, foi criado o GIBI na América do Norte, cujo nome se universalizou a todas as outras revistas do gênero. O primeiro tinha na capa o detetive chinês Charlin Chan. Depois apareceram o Fantasma Voador; Mandrake, o mágico; Namor, o Príncipe Submarino; Tocha Humana; Brucutu; Tereré e Super-Homem, além de mocinhos dos saloons americanos: Bronco Piler, Zorro e muitos outros.

A propaganda americana na guerra trouxe os heróis que combatiam a Gestapo. Os GIBIS marcaram a mocidade da época com desenhos notáveis, como se pode ver no Príncipe Valente, em desenhos primorosos de Harold Foster, no Dick Tracy (traços quadrados) e no Espírito. Temos, ainda, a ficção hoje atual de Flash Gordon, desenhado por Alex Raymond. Diante dessa avalanche, o Tico-Tico desaparece. O Fantasma deixou de ser voador. Lil Abner, traçado por All Capp, passou a se chamar Ferdinando, na tradução brasileira. O originalíssimo Coringa não fez sucesso. Bronco Piler e Tocha Humana também desapareceram.

Em 1951, aconteceu, em São Paulo, a Primeira Exposição Internacional de História em Quadrinhos. Os conceitos dos quadrinhos mudaram com a chegada de um erotismo mais acentuado, deixando em outra esfera as calcinhas rasgadas e o colo farto de Daysi Mae, namorada de Lil Abner - depois Ferdinando e Violeta na versão brasileira.

É uma pena que os quadrinhos estejam tendo cada vez menos espaço nos jornais, pois é um agradável lazer diante dos noticiários agressivos que lemos hoje.