sexta-feira, 22 de novembro de 2019   
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A ABO-RJ é uma entidade com características técnico-científica, culturais, filantrópicas e sociais, constituída por número ilimitado de sócios cirurgiões-dentistas, acadêmicos de Odontologia e demais profissionais afins regularmente inscritos nos respectivos Conselhos.

:: O Centenário da Godiva
 
Antigamente as moldagens eram precárias, embora, no meio artístico, já se conhecessem as virtudes da cera de abelha nesse trabalho Odontologicamente, a cera tinha (e tem) sérios problemas, porque sofre alterações com o calor, distorce na manipulação, adere à superfície dentária, dificultando a retirada da boca, etc. Isso quer dizer que as próteses eram feitas diretamente na boca.

Naturalmente, não se fazia qualquer aparelho, a não ser os que pudessem ser desgastados com instrumentos de mão. Para se colocar dentes em áreas maiores desdentadas, há necessidade de uma base, na qual se prendem os dentes artificiais. Encontram-se assim bases de marfim, madeira, osso e já no século XIX bases de metal. É claro que fazer isso diretamente na boca é muito difícil. É por isso que só se encontram poucos exemplares entre os antigos. Mas os artistas antigos já conheciam o gesso, na forma do alabastro, utilizado no Egito, na Grécia e em toda a Europa na Idade Média As referências históricas dizem que Phillip Pfaff, dentista de Frederico, o Grande, usava a cera de abelhas nas impressões bucais, por volta de 1800. Em 1844, o dentista americano Dunning usava o gesso como material de moldagem com pleno êxito. Aliás, ele é usado até hoje em moldagens faciais. Para ser usado como modelo, bastava isolar o molde e completar com mais gesso, tendo-se assim boa reprodução do campo operatório. Era, porém inaplicável em desdentados parciais por causa do problema na remoção da boca. Em 1857, o Dr. Stent lançou uma composição plástica resinosa para moldagem que tomou o seu nome. A composição, porém, foi aperfeiçoada pelos irmãos Greene, em 1900, nascendo aí a excelente "godiva". Esse nome foi criado nos países latinos para um produto comercial, plenamente aprovado na confecção de dentaduras. Logo depois apareceu em bastão para uso em prótese fixa. Com a godiva preta, Fournet. desenvolveu seu clássico trabalho para dentaduras inferiores e moldagem funcional. Como moldeira individual, serviu depois para alojar o Flex sil, primeiro silicone nacional em 1950. Com ela se reduzia a hipertrofia criada pela câmara de sucção palatina que acompanhava as dentaduras totais superiores.

Conta-se que Assis Valente, conhecido compositor de músicas natalinas e de São João, além de geniais sambas para Carmen Miranda, na década de 30, era também um protético habilidoso. Gostava de manipulá-la. Juntando seus excessos, fazia artísticas esculturas com os restos, chegando a presentear o jornal "O Globo" com uma delas.

Os alginatos e elastômeros limitaram seu uso, mas a velha geração ainda elege a godiva com o melhor material para a moldagem do desdentado, principalmente na arcada inferior.

 Jornalista Responsável: Cíntia de Assis | Desenvolvimento: SR Informática | Realização: ABO-RJ Siga-nos no Facebook Facebook