sexta-feira, 22 de novembro de 2019   
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:: Atitudes Valiosas na Prevenção do uso Indevido de Drogas
 
Ethel Bauzer Medeiros

Psicóloga, Ex-Coordenadora do Projeto Esperança de Educação Preventiva (Ministério do Exército - Centro de Estudos de Pessoal / Ministério da Justiça)

O folheto se destina a professores, basicamente.
  1. Substituir a "pedagogia do não" pela "do sim" (a comportamentos, valores e atitudes construtivos), encorajando um estilo de vida em que a oferta de drogas vá morrendo pela reducação progressiva da sua procura.

  2. Observar que a educação precisa acompanhar a vida toda. Até entre idosos estão crescendo os problemas associados ao uso indevido de drogas, notadamente em relação ao álcool e a certos medicamentos.

  3. Reconhecer o papel capital das crenças, emoções, motivações, escalas de valores e atitudes, na conduta. - Cuidar da personalidade toda do educando, e não somente dos seus conhecimentos e processos de pensamento.

  4. Conjugar os esforços da educação formal, dada nas escolas de todos os níveis, com aqueles da educação não-formal, proporcionada por meios de comunicação em massa, agremiações, centros sociais, igrejas, etc.

  5. Advertir que todo comportamento tem causa(s), encarando o recurso à droga como indício de necessidade(s) íntima(s), não satisfeita(s), que clama(m) por atenção (como as de afeto, aprovação social, segurança, autonomia, pretígio, etc.).

  6. Ocupar-se mais de formar pessoas, habituando-as a maneiras saudáveis de viver, do que em informá-las sobre os malefícios das drogas e as punições aplicáveis ao seu uso indevido. Em outras palavras, partir do pressuposto de que pessoas assim educadas destinarão o emprego destas substâncias a propósitos adequados, resistindo a pressões de conformismo com grupos que as consomem ou de interesses econômicos, políticos e ideológicos.

  7. Ter sempre em mente, seja no planejamento, seja na executação de projetos, qua as pessoas diferem entre si não apenas na aparência, mas sobretudo em experiência e filosofia de vida, em capacidades e habilidades, em valores e atitudes, em suma, no modo de pensar, sentir, escolher os próprios objetivos, perseguir alvo e reagir ao que as cerca. Cada uma tem a sua personalidade, isto é, uma combinação singular das qualidades e limitações, que herdou dos seus, com o que foi fazendo das oportunidades, favoráveis e desfavoráveis, que o meio lhe ofereceu.

  8. Ponderar que, conseqüentemente, cada indivíduo enxerga a vida e a ela reage a seu jeito, segundo as próprias crenças, aptidões, habilidades, atitudes e deficiências, em função das situações que já enfrentou, dos valores que preza e das preocupações e interesses do presente, bem como do a que aspira para o futuro. Por isso, postas na mesma situação (como em uma festa onde se abusa de bebidas alcoólicas ou se usa cocaína) cada qual vê, sente e se comporta desigualmente. - Dar-se conta de que também a aprendizagem é um processo muito pessoal, em que cada indivíduo vai escolhendo, entre as numerosas informações que o meio põe ao seu alcance, as que mais lhe interessam, para com elas ir reorganizando a própria maneira de ser e de se conduzir. - Lembrar como entre ensinar e aprender não há correspondência obrigatória. Expor alguém a aulas, conferências, filmes, leituras ou recomendações não resulta, necessariamente, no bom aproveitamento destes recursos. Não raro, aprende-se até o oposto do que se queria ensinar, podendo-se mesmo induzir a aversão por um assunto (como a matemática, a física, ou uma língua estrangeira), ao apresentá-lo de forma desinteressante, cansativa ou complicada.

  9. Entender que atitudes e valores são os grandes alvos de educação, pois eles é que regulam o comportamento. À medida que pessoas e grupos vão incorporando atitudes e valores de rejeição à droga, passam a prescindir de regras e fiscalização externas, progressivamente assumindo o controle da própria conduta.

  10. Garantir a continuidade e, mais que isto, a regularidade de programas e serviços, por entender que a educação é trabalho demorado, a demandar perseverança e paciência. Uma campanha contra a cocaína, por exemplo, provavelmente causará impacto, porém em pouco tempo o interesse que despertou poderá ser desviado para outras questões sociais, também de vulto.

  11. Refletir em que a educação preventiva é trabalho profissional especializado, com bases científicas e todo um acervo de investigações e experiências. É campo que há anos vem elaborando e pondo à prova teorias de ensino e de aprendizagem, critérios de escolha e de dosagem de conteúdos, métodos e material didático, instrumentos de verificação dos resultados e procedimentos para a sua avaliação, enfim, criandoum domínio próprio de filosofia, conhecimentos e práticas, que deve ser dominado por quem se propõe a educar. - Dar lugar especial, nos cursos de formação de profissionais da saúde, para o exame do uso indevido de drogas, considerando que tais pessoas lidam de perto com enorme variedade destas substâncias e sofrem apelos freqüentes para as prescrever. Advertir não serem raros os casos de dependentes de barbitúricos ou de anfetaminas, que dizem ter começado a tomá-los por prescrição médica, para depois entregar-se a perigosa automedicação.

  12. Notar que, entre os grandes fatores do uso indevido, sobressaem a proximidade das fontes e o alcance da circulação das drogas. - Adequar a ação educativa às circunstâncias encontradas, atentando para: o tipo, a natureza e os efeitos, a curto e a longo prazo, da(s) substância(s) utilizada(s) lícita(s) ou proibida(s), capaz(es) ou não de criar dependência física ou psicológica); a dosagem empregada; a forma de introdução da droga no organismo (por via oral, por inalação, injetada, em supositório, isoladamente ou em combinação com outra droga, como o álcool, que lhe potencializa os efeitos); o ambiente em quie a droga é usada (em casa ou fora dela, em grupo ou no isolamento do quarto, em clima de encorajamento ou de censura, em associação ou não a rituais); a regularidade e a freqüência do uso (ocasional, espaçado ou sistemático); a personalidade do usuário, particularmente o seu grau de vulnerabilidade à droga (associado à idade, compleição, estado de saúde, predisposições, experiências, relacionamento com a família, com a escola, com os companheiros de idade e com as autoridades; meio sócio-econômico, confiança em si, autoconceito, aspirações, etc.); a facilidade de acesso à droga.

 Jornalista Responsável: Cíntia de Assis | Desenvolvimento: SR Informática | Realização: ABO-RJ Siga-nos no Facebook Facebook